sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Gente grande em cidade pequena


As férias acabaram já faz algum tempo. Logo que elas começaram os filhos de gente importante regressaram à nossa pequena cidade.
É engraçado ve-los gabando-se da cidade grande,como se de la fossem, desdenhando -se das pessoas e da cidade na qual cresceram.
Nem sempre é facil ser gente grande em cidade pequena. Porque a gente cresce, as ambições também e a cidade nem sempre.
Eu que sou filha de seu Siclano com dona Beltrana sou mais uma, não conheço toda a população da cidade. Mas quando vou ao banco ou a padaria pelo menos de vista conheço bem mais que uma duzia. Não sou nenhuma pop star aqui. Mas sou reconhecida pelos meus, que contam bem menos que um par de mãos.
Mas esses que regressam nas ferias e feriados são filhos de "Seus Doutores" e todos os reconhecem. É que em cidade pequena a fama passa de pai para filho. Assim como seus escritorios, consultorios e cargos.
Conversando com um desses que aqui é importante por ter herdado o sobrenome do pai, zombou ele de mim, por ter eu regressado a cidade pequena e não ter continuado na metropole, que segundo ele é cidade de gente grande.
Veio reclamando que o povo daqui é tão pequeno quanto a própria cidade.
Que as pessoas são tão lentas quanto o tempo que parece não passar aqui. Chegou ao cumulo de dizer que somos intelectualmente incapazes.
Eu poderia ter respondido que somos tão agradáveis quanto o clima ou que nossos corações são tão belos quanto as paisagens de nossa cidade. Mas, aí, como ele, estaria eu generalizando. E eu simplesmente odeio generalizações!
Há de tudo por aqui, gente de mente leve e trabalho pesado, gente de trabalho aparentemente leve e pensamentos árduos, gente que não trabalha e pouco pensa, gente triste, gente feliz....aqui tem um monte de "gentes" tão iguais e tão diferente das "gentes " de outros lugares.
As vezes não é facil ser gente grande em cidade pequena. Mas fico com dó dessa gente pequena que vai para cidade grande se sentindo muito maior do que realmente é.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Fim do soninho matinal e não só dele...


Digam o que disserem, para mim, o melhor sono é o da manhã.
Adoro ficar mais cinco minutinhos na cama, que nunca são apenas cinco. Se alongam para dez, quinze e as vezes vinte.
É mesmo um absurdo enrolar tanto para levantar. Ter que colocar o despertador para cumprir a sua obrigação hora e meia antes de eu mesma ter de cumprir as minhas.
Mas vá lá, sou assim. Tenho tremenda dificuldade em mater-me desperta pela manhã...a vida toda foi assim...
Mas estava eu de férias e feliz! Não tinha que ouvir o pi-pi-pi-pi...e fazer a enrolação matinal de sempre....mas as férias acabaram. E com elas, a minha mordomia de ficar bem mais que cinco minutinhos na cama.
Levantei aos trancos e barrancos, me arrastei até o chuveiro e deixei que ele me despertasse, tomei café, me maquiei, coloquei a roupa e sai caminhando para o trabalho.
Roupa social, tenis no pé e o salto na sacola.
Andei meus trinta e tantos minutos diarios, cheguei ao local de trabalho coloquei o salto nos pes, o tenis na sacola e um segundo cafe da manhã no estomago.
Desenvolvi minhas funções, conversei com os clientes e com os chefes.
Final da tarde se aproximava, estava eu lá falando sobre minhas ferias e contando sobre os cursos que tinha a intenção de fazer nesse semestre, quando um dos meus lindos chefes elogiou o capricho com o qual sempre faço minhas coisas, minha obssesssão pela perfeição e mania de observar se o acabamento das coisas estão mesmo bem acabados. Foi então que ele perguntou por que eu não fazia trabalhos manuais para vender. Respondi que nunca tinha pensado no assunto.
"Acho bom voce começar a pensar porque não temos mais como te pagar..."
Bom, foi assim que pela primeira vez comecei a fazer parte da classe desempregada de nosso pais.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Minha tentação


Uma vez mais nos enlaçamos com a fúria e desejo de sempre...
o que resultou um orgasmo cósmico seguido de um breve arrependimento por ter eu sucumbido novamente ao vício que é estar nos braços dele.
Já fomos amigos de turma, namorados, melhores amigos, inimigos, desconhecidos, ficantes, amantes... em todos os estágios dessa nossa história, estivemos sempre um nos braços do outro. Há um "não sei o que" que não conseguimos evitar.
O que somos hoje? Não sei. E arrisco a dizer que ele também não tem essa resposta. O mais importante não é o que somos, mas sim, a segurança que representamos um para outro....
Em meio a tantas mudanças ocorridas em nossas vidas nessa quase uma década, sabemos que de algum modo somos a constante um do outro.
Esse nosso pseudo-relacionamento nos faz regressar ao porto seguro que são nossos ardentes e secretos encontros.
Se eu o amo? Não. Mas também não o resisto. Ele é a minha loucura, minha obsessão...minha droga.
Tenho por ele um vício louco e incontrolável....assim como o alcoolatra não pode dar um gole que representa o gatilho....não posso sentir a respiração dele em meu rosto, porque aí me perco toda. E ele se perde em mim...
Mas agora ele está longe. Novamente regressou à sua vida. Fiquei eu aqui mudando a direção da minha...

..."não nos deixeis cair em tentação... "

terça-feira, 22 de julho de 2008

Meu pai


Muito cedo tive que lidar com a idéia de que super heróis e vilões podem coexistir em um único ser.
Enquanto escrevo sobre meu pai, em minha mente se formam imagens justapostas de carinho e maus-tratos.
Lembranças das pescarias, dos passeios que davámos nos quais eu era carregada em seus ombros,das longas conversas sobre livros, universo e a existência ou não de Deus...dos gritos, do hálito embriagado, dos objetos voando pela casa, das grosserias e obcenidades que eram ditas aos berros, de suas grandes mãos pegando meu pequeno pescoço e arremessando meu corpo infantil para longe.
Tantas foram as vergonhas e privações que ele impôs a mim e minhas irmãs.
Seria paradoxal eu dizer que amava e odiava na mesma intensidade aqueles dois seres que habitavam naquele ser que ensinaram-me a chamar de pai?
Das filhas eu sempre fui a mais quietinha.
Eu sofria no meu canto sozinha, com minhas lágrimas e vômitos.
Era sempre a mesma história, entrava o ébrio pela porta aos ponta pés, corria eu aos prantos para o banheiro, enfiava o dedo na garganta, me fechava em meu próprio mundo e me deprimia.
Quando ele ganhava dinheiro, ia gastá-lo com suas paixões: mulheres e bebidas. Chegava tarde em casa, nos batia, envergonhava e desaparecia para aproveitar ao máximo seus prazeres. Ficavámos semanas, as vezes meses sem notícias suas. Até que o dinheiro acabava , então voltava ele de mansinho, cabeça baixa, arrependido e mudado, dessa vez tudo seria diferente. Pedia perdão. Estava sempre perdoado.
Mas nada é perfeito, e bastava voltar o dinheiro para que a bebida e a violência voltassem.
Esse ciclo vicioso repetiu-se por mais de vinte anos.
Há dois meses, enquanto eu mudava a direção da minha vida, encontrei meu ébrio pai no meio do caminho. Me vi em meio a uma situação familiar: obcenidades sendo proferidas aos berros em tom ameaçador no meio da rua. Mihas lágrimas começaram a jorrar, foi então que eu vômitei! Vômitei os mais de vinte anos, engolidos na marra e na porrada, em cima dele.
Disse tudo o que sempre tive vontade de falar e nunca havia tido coragem. Vi a mão se levantar e descer com violência, mas foi parada com meu indicador em seu nariz, e a frase que o paralisou :" Você vai me pegar pelo pescoço e me encher de socos?" E diante daquele homem atônito disse o que bem quis, pedi licença e fui cuidar da minha vida com a sensação de não ser mais a preferida. Naquele momento senti que algo se rompia.
Dois dias depois me liga ele sóbrio e aos prantos, dizendo-se arrependido e pedindo perdão. Eu o perdoei. Afinal, dentro do débil vilão ainda existe meu doce herói.
O que mudou? Eu mudei.
Não fico mais calada. Pela primeira vez na vida não tive crises de vômitos e episódios depressivos após uma briga com meu pai.
Estou bem, estou alegre e leve.

domingo, 20 de julho de 2008

Para pensar...



Quanto tempo e energia gastamos tentando provar aos outros coisas que não precisaríamos provar nem a nós mesmos.
Ficamos numa busca incessante por algo que só encontraremos no momento em que entrarmos em contato com a essência do Universo ,que é a nossa verdade.
Pergunto-me por que temos que ser hipócritas? Por que apontamos no outro aquilo que muitas vezes ( in )conscientemente desejamos????
Seria imensamente mais fácil, se cada um de nós começacemos a cuidar de nossa existência.
E entendêssemos que quando o Pai nos pede para cuidarmos um do outro, Ele deseja que o façamos de maneira humilde, sem pré- julgamentos , sem moralismos ...sem a busca da salvação e do pedacinho do céu. Estas coisas são ( ou não) conseqüência...


Boa Semana!!!

domingo, 29 de junho de 2008

Porque agora decidi falar


Durante muito tempo me calei para proteger muitas pessoas e sem querer acabava me expondo de uma maneira errônea. Então decidi falar o que sinto, o que vejo e o que penso e assim proteger a minha sanidade.
Algumas pessoas têm me dito que mudei, que deixei de ser delicada, mas a grande verdade é que agora me sinto segura, mais leve e alegre.
Agora me escondo no falar.