
As férias acabaram já faz algum tempo. Logo que elas começaram os filhos de gente importante regressaram à nossa pequena cidade.
É engraçado ve-los gabando-se da cidade grande,como se de la fossem, desdenhando -se das pessoas e da cidade na qual cresceram.
Nem sempre é facil ser gente grande em cidade pequena. Porque a gente cresce, as ambições também e a cidade nem sempre.
Eu que sou filha de seu Siclano com dona Beltrana sou mais uma, não conheço toda a população da cidade. Mas quando vou ao banco ou a padaria pelo menos de vista conheço bem mais que uma duzia. Não sou nenhuma pop star aqui. Mas sou reconhecida pelos meus, que contam bem menos que um par de mãos.
Mas esses que regressam nas ferias e feriados são filhos de "Seus Doutores" e todos os reconhecem. É que em cidade pequena a fama passa de pai para filho. Assim como seus escritorios, consultorios e cargos.
Conversando com um desses que aqui é importante por ter herdado o sobrenome do pai, zombou ele de mim, por ter eu regressado a cidade pequena e não ter continuado na metropole, que segundo ele é cidade de gente grande.
Veio reclamando que o povo daqui é tão pequeno quanto a própria cidade.
Que as pessoas são tão lentas quanto o tempo que parece não passar aqui. Chegou ao cumulo de dizer que somos intelectualmente incapazes.
Eu poderia ter respondido que somos tão agradáveis quanto o clima ou que nossos corações são tão belos quanto as paisagens de nossa cidade. Mas, aí, como ele, estaria eu generalizando. E eu simplesmente odeio generalizações!
Há de tudo por aqui, gente de mente leve e trabalho pesado, gente de trabalho aparentemente leve e pensamentos árduos, gente que não trabalha e pouco pensa, gente triste, gente feliz....aqui tem um monte de "gentes" tão iguais e tão diferente das "gentes " de outros lugares.
As vezes não é facil ser gente grande em cidade pequena. Mas fico com dó dessa gente pequena que vai para cidade grande se sentindo muito maior do que realmente é.
